segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Eta Negocião

negóciosCrise braba. O Chico não tem outro jeito senão vender o velho relógio de ouro, herança do vô Juvenal, do tempo dos barões do café. Procura o compadre Bento, que depois de matutar um bocado, conclui:

-Óia... Dou duzentos mil !

Chico aceita o preço. Mas uma semana depois, com o dinheiro da venda duns leitões na mão, ele tenta resgatar o relógio:

-Cumpadre, eu quero comprá o relógio de vorta. Dô trezentos mil, pronto !

Bento topa o negócio, mas depois pensa: Esse troço deve di valê muito mais pro cumpadre tê vindo buscá de vorta....

No dia seguinte, lá está o capiau na casa do outro sitiante:

-Sabe, cumpadre Chico... Eu cismei com aquele relógio e pensei em pagá inté quinhentos contos por ele !

O Chico não resiste e acaba vendendo. Mas, no dia seguinte, lá está ele batendo na porta do Bento: Óia, cumpadre.. Num posso ficá sem o relógio do finado vô ... Vo pagá um milhão por ele !

Depois de um mês, em que compraram e recompraram mais de vinte vezes o mesmo relógio, o Bento propõe:

- Iscuta, cumpadre Chico, que tar se nóis vendê esse relógio po seu Gerardo, lá da venda, por uns quatro milhão e reparti o dinheiro ?

E o Chico: Tá doido, cumpadre ? Faiz mais de mês que nóis dois tamo vivendo desse negócio de comprá e vendê relógio e cê que dividi o lucro com mais um ?

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