domingo, 13 de junho de 2010

Emprego do Juvenal

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Juvenal estava desempregado há meses. Com a resistência que só os brasileiros têm, Juvenal foi tentar mais um emprego em mais uma entrevista.

Ao chegar no escritório, o entrevistador perguntou:
— Qual foi seu último salário?

— "Salário mínimo", respondeu Juvenal.

— Pois se o Senhor for contratado, ganhará 10 mil dólares por mês!

— Jura?

— Que carro o Senhor tem?

— Na verdade, agora eu só tenho um carrinho pra vender pipoca na rua e um carrinho de mão!

— Pois se o senhor trabalhar conosco, ganhará um Audi para você e uma BMW para sua esposa! Tudo zero!

— Jura?

— O senhor viaja muito para o exterior?

— O mais longe que fui foi pra Belo Horizonte, visitar uns parentes...

— Pois se o senhor trabalhar aqui viajará pelo menos 10 vezes ao ano, para Londres, Paris, Roma, Mônaco, Nova Iorque...

— Jura?

— E digo mais... O emprego é quase seu. Só não confirmo agora por que tenho que falar com meu gerente. Mas é praticamente garantido. Se até amanhã, sexta-feira, à meia-noite o senhor NÃO receber um telegrama nosso cancelando, pode vir trabalhar na segunda-feira.

Juvenal saiu do escritório radiante. Agora era só esperar até a meia-noite da sexta-feira e rezar para que não aparecesse nenhum maldito telegrama.

Sexta-feira mais feliz não poderia haver. Juvenal reuniu a família e contou as boas novas, e convocou o bairro todo para uma churrascada comemorativa.

Sexta à tarde já tinha um barril de chopp aberto. Às 9 horas da noite a festa fervia. A banda tocava, o povo dançava, a bebida rolava solta.

Dez horas, e a mulher de Juvenal, aflita, achava tudo um exagero.

A vizinha gostosa e interesseira já se jogava pra perto do Juvenal. E a banda tocava... E o chopp gelado rolava... O povo dançava!

Onze horas, Juvenal já era o rei do bairro. Gastaria horrores para o todos encherem a pança, tudo por conta do primeiro salário. E a mulher resignada, meio aflita, meio alegre, meio assustada.

Onze horas e cinqüenta e cinco minutos... Vira na esquina buzinando feito louca uma moto amarela... Era do Correio!

A festa parou! A banda calou! A tuba engasgou! Um bêbado arrotou! Um cachorro uivou! Meu Deus, e agora? Quem pagaria a conta da festa?

— Coitado do Juvenal! Era a frase mais ouvida.

Jogaram água na churrasqueira! O chopp esquentou! A mulher do Juvenal desmaiou! A moto parou!

— Senhor Juvenal Batista Romano Barbieri?

— Si-si-sim, so ... sou eu...

A multidão não resistiu...

— OOOOOHHHHHHHHHHH!!!!!!!!!!!

— Telegrama para o senhor...

Juvenal não acreditava...

Pegou o telegrama, com os olhos cheios d'água, ergueu a cabeça e olhou para todos. Silêncio total. Respirou fundo e abriu o envelope. Uma lágrima rolou, molhando o papel.

Olhou de novo para o povo e a consternação era geral. Tirou o telegrama do envelope, abriu e começou a ler. O povo em silêncio aguardava a notícia e se perguntava.

— E agora? Quem vai pagar essa festa toda?

Juvenal recomeçou a ler, levantou os olhos e olhou mais uma vez para o povo que o encarava...

Então, Juvenal abriu um largo sorriso, deu um berro triunfal e começou a gritar eufórico...

— MAMÃE MORREEUUU!!!! MAMÃE MORREEUUU!!!! MAMÃE MORREEUUU!!!!

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